Leia o Boca nº 360 - Capa Conjuntura Política
Lutas na América Latina
Vivemos num mundo convulsionado por guerras: Ucrânia e Palestina, ainda sem perspectiva de final. Nos EUA, o clima esquentou depois do início da guerra contra o Irã. O governo Trump enfrenta protestos, impopularidade (62% de reprovação) e a maior inflação desde 2023 (4,2%). Entretanto, insiste em atacar a América Latina: aponta para Cuba, Venezuela, Colômbia, México e Brasil. Tudo isso em ano de Copa do Mundo e de eleições em vários países: Peru, Colômbia, Equador e Brasil. Em contrapartida, as lutas não param.
O Brasil está ligado no “modo” Copa/Eleições. O governo Lula/Alckimin se empenha para garantir um “pacote de bondades”, entretanto, nova crise entre Executivo e Legislativo atrapalha os planos do Lula4, porque até a escala 6x1 enfrenta disputa entre os 2 poderes. Enquanto isso, Flávio Bolsonaro se alia a Trump e dá um “tiro no pé” entregando a soberania do país. Lula embarca para a reunião do G7, tenta pedir a benção a Trump e contornar a situação. Apesar do esforço da mídia para injetar otimismo na Copa, desta vez não vemos a “pátria de chuteiras”. A seleção brasileira embarcou desacreditada e, qualquer que seja o resultado, não servirá de pano de fundo para aplacar as lutas de trabalhadores e trabalhadoras.
No último período, lutas importantes tomaram a cena. O movimento pelo Fim da Escala 6x1; a mobilização dos caminhoneiros contra a alta do diesel; movimentos indígenas e quilombolas protestam contra o avanço do desmatamento ilegal e os eventos climáticos extremos. Além da constante luta por moradia, que desvenda a falta de atuação dos governos. No funcionalismo público (federal, estadual e municipal): as universidades federais fizeram greves contra cortes orçamentários e as políticas de permanência estudantil. Diversas capitais e estados enfrentaram paralisações de servidores da saúde e da educação. Em São Paulo, o funcionalismo municipal fez greves por reajuste salarial. A forte greve na USP unificou estudantes e professores, inclusive da Unifesp e da UNICAMP, colocando o governo Tarcísio contra a parede. Só quem luta conquista!
UMA REVOLUÇÃO EM CURSO
O governo da Bolívia, fantoche de Trump, entrega os recursos naturais e as empresas estatais ao capital privado. Com o Decreto 5503 o presidente Rodrigo Paz impôs um tarifaço nos combustíveis, que gerou inflação de quase 300%, crise de abastecimento, combustível adulterado e muita corrupção. A primeira Greve Geral foi em janeiro, convocada pela Central Operária Boliviana (COB) e por movimentos sociais e camponeses. Durou 3 semanas e foi suspensa após a revogação do decreto.Em abril, Paz implementou a lei 1720, para tomar as terras dos pequenos agricultores e dos povos indígenas em benefício da agroindústria. A segunda Greve Geral e os bloqueios iniciados em 1º de maio se estenderam por mais de 40 dias. A Pauta de Reivindicações de 100 itens se tornou um levante revolucionário pelo "Fora Rodrigo Paz!". Nas ruas, os manifestantes ainda disputam o poder. A luta continua com bloqueios em todas as estradas e avenidas das maiores cidades. A polícia tentou desmontar as barricadas com apoio de grupos paramilitares, e foi repelida pelos manifestantes. Mas o governo Paz recebeu apoio do governo Lula: balas de borracha, gases de pimenta e munições. A situação está tensa. O presidente Paz promulgou lei que permite instaurar estado de exceção no país, para que o exército atue na contenção aos protestos. O povo resiste e exige a renúncia do presidente.O Sindicato dos Químicos manifesta todo apoio à luta do povo boliviano. Exigimos liberdade imediata dos dirigentes e camponeses presos! Fora Rodrigo Paz! Por um Governo da COB e das organizações de moradores e de camponeses!
A COPA NÃO CALOU OS PROTESTOS
No México, uma das 3 sedes desta Copa, além de EUA e Canadá, a insatisfação popular com o governo Claudia Sheibaum gerou muitos protestos, desde de o início do mês, quando manifestantes acamparam na capital bloqueando vias. Professores e trabalhadores da Educação protestavam por melhores salários e contra reformas na previdência. Ativistas e mães marchavam com velas e fotos para chamar a atenção internacional para mais de 130.000 pessoas desaparecidas no país. Estudantes e coletivos sociais criticavam o alto gasto público do governo com a infraestrutura da FIFA em detrimento das necessidades básicas do povo. Mas foi na quinta-feira, 11/06, pouco antes da abertura da Copa, que o entorno do Estádio Azteca foi palco de fortes tensões e confrontos. A polícia utilizou gás e barreiras para conter a multidão. Os manifestantes responderam com pedras, tijolos e coquetéis molotov. Vários policiais ficaram feridos e dezenas de prisões foram efetuadas. Apesar do temor das autoridades e da FIFA, a megaoperação de segurança com milhares de policiais conseguiu impedir que invadissem o estádio, porém os protestos continuaram nas ruas da Cidade do México.